ENTENDENDO OS NEOLOGISMOS POR DERIVAÇÃO SUFIXAL
Olá, pessoal!
Vocês já perceberam como a nossa língua é legal? A gente faz um "puxadinho" numa palavra, cola outra nela e pronto: nasceu um termo novo do zero.
Vamos entender melhor sobre esse fenômeno que existe há um bom tempo e chegou para ficar!!
O que são Neologismos?
Os Neologismos são, a grosso modo, palavras novas. Palavras que surgem para nomear coisas que as palavras que já existem, sozinhas, não são capazes. Mas como essas palavras novas são "fabricadas"?
Bom, são vários os modos como a língua se organiza na formação dos neologismos. Uma palavra já existente pode ser cortada e ter um pedacinho novo adicionado, duas palavras que já existem podem se juntar, uma palavra de outra língua pode ser "abrasileirada".
Mais adiante, trabalharemos com um fenômeno chamado de derivação sufixal, que é uma das receitas usadas na formação de novas palavras na língua portuguesa.
Entenda o que é e como ocorre a derivação sufixal:
A Derivação é um processo de formação de novas palavras a partir de uma que já existe e a Sufixação ocorre dentro da derivação quando se adiciona um afixo (prefixo ou, neste caso, o sufixo) ao seu radical.
Muitos começam como gírias e, com o tempo e o uso frequente, acabam entrando nos dicionários oficiais.
Observe esse exemplo:
O termo “Biscoitagem”, que é um fenômeno cultural e gíria da internet brasileira, consolidada nos últimos anos (após 2019/2020), que se refere ao ato de fazer de tudo para chamar atenção, receber elogios, curtidas (likes) e validação nas redes sociais. É utilizado até hoje, acredita? Veja as imagens abaixo:
O termo começou a dar as caras no facebook, por meio da expressão “legal, fera, quer um biscoito?”, a qual tinha conotação negativa e debochada. Ao ser reduzida apenas a “biscoitar”/”biscoitagem”, podemos dizer que esse sentido negativo se perdeu, incorporando uma nova expressão para se exibir no vocabulário brasileiro.


Veja as categorias que mandam no pedaço e me fale qual você mais ouve falar!
Os sufixos nominais que no âmbito dos sufixo formadores de substantivos e adjetivos, -ismo e -ista se destacam e são os mais produtivos. Unem-se a bases denotadoras de personalidades, ideias e siglas partidárias, formando substantivos que originam tais personalidades ou doutrinas.





Como transformar Verbos em Substantivos e Adjetivos?
Sabe quando a gente pega um verbo e transforma em nome ou adjetivo? É assim que a mágica acontece, observe:
-dor: Esse aqui serve para dar um "rosto" à ação. É quem faz a coisa acontecer (o agente).

-ar: Além de estar em todo lugar no dia a dia, esse sufixo é o queridinho dos políticos na hora de criar termos novos. Segue um exemplo utilizado no meio político:

Mudando a Categoria das Palavras
Pois então, ao invés de só listar um monte de sufixos (aqueles finaizinhos adicionados nas palavras) como os livros antigos fazem, a ideia aqui é mostrar como a gente cria palavras novas no dia a dia. Queremos entender as regrinhas que fazem uma palavra deixar de ser, por exemplo, um verbo, e virar um nome.
Dá uma olhada pra saber como funciona:
De verbo para nome: Quase todo verbo pode virar um substantivo. Mas tem um padrão: se o verbo termina em -izar, quase sempre a versão "nome" dele vai terminar em -ção.
Exemplo: De Argentinizar (verbo), a gente cria Argentinização (substantivo).

De Verbo para Adjetivo: Também dá para transformar qualquer verbo em uma característica (adjetivo). Mas tem um detalhe: aquele finalzinho -vel (tipo "amável") geralmente só combina com verbos que pedem um objeto direto.
Exemplo: O clássico Instagramável (algo que dá para postar no Instagram).
Veja este exemplo:

Transformação para advérbios:
Os advérbios funcionam como uma rua sem retorno. Veja só: eles não criam novas palavras. Você pode transformar um adjetivo ou verbo em advérbio, mas o contrário não acontece. Na grande maioria das vezes, basta pegar um adjetivo e somar o sufixo -mente.
Um exemplo disso é a palavra “instagramavelmente”, vinda do adjetivo “instagramável”, que já citamos aqui.

E por aí vai! A língua é viva e a gente vai adaptando as peças para criar o que precisa.
Referências:
ALVES, I. M. Neologismo: criação lexical. 2.ed. São Paulo: Ática, 2004.
BASÍLIO, Margarida. Formação e classes de palavras no português do Brasil. 2011.
ALVES, Ieda Maria. Neologia: histórico e perspectivas. 2018.
JESUS, Ana Maria Ribeiro de. Neologia e neologismos. Material de aula, 2025.

_edited.png)

