A morfologia existente entre nós: já pensou no quanto a derivação prefixal e sufixal está presente no seu dia a dia?
No dia a dia utilizamos diversas palavras, mas nunca paramos para pensar suas origens ou como são formadas, quais elementos fazem parte da composição daquele termo. Quando dizemos para um amigo “Infelizmente não vou conseguir ir hoje”, ou quando assistimos a uma novela e o amigo da protagonista faz algo e pensamos “Cara, que deslealdade” ou até mesmo no trânsito quando um carro passa na frente e então comentamos “ele fez uma ultrapassagem muito arriscada”, estamos usando palavras que compõem um fenômeno que faz parte de um estudo: a morfologia.
Para uma rápida contextualização, a caso algum leitor ter caído de paraquedas nesse post, a morfologia, na linguística, é uma área que estuda as palavras, suas estruturas, formações e até mesmo as flexões, que conhecemos como variação de palavras. Dentro da morfologia temos alguns fenômenos linguísticos, um deles chamado de formação de palavras onde se criam termos a partir de uma já existente, sendo principalmente, mas não apenas, por derivação e é sobre uma dessas derivações que iremos falar neste post.
Todas as palavras são constituídas por pequenas partes que, quando se juntam, formam algo que tem um sentido, um significado, quase como montar um quebra-cabeça, e essas “peças” do nosso quebra-cabeça morfológico são conhecidas como morfemas . Dessa perspectiva, mesmo que já tenhamos uma palavras que esteja formada, se pegarmos um morfema, uma parte que faça sentido e que se integre na palavra, podemos criar um novo termo com um novo significado.
A derivação prefixal e sufixal também funciona assim, pegamos uma palavra que serve como uma base, um radical, e adicionamos tanto uma parte ao início, quanto uma parte ao final dessa palavra base, essas partes são o que chamamos de prefixo e sufixo. Os prefixos e sufixos recebem esse nome devido às posições que ocupam na palavra, quando a parte adicionada vem antes da palavra base, no início, nós chamamos de prefixo, e quando vem depois, no final, chamamos de sufixo. Na derivação prefixal e sufixal, diferente da derivação parassintética, mesmo se foram retirados o prefixo ou o sufixo ou até mesmo os dois, a palavra ainda funcionará e terá um significado.
Talvez seja difícil entender a teoria, então, pensando em nossos fiéis leitores, trouxemos exemplos de algumas derivações prefixais e sufixais e mostraremos como são construídas essas palavras na prática.
Na palavra ‘Reaproveitamento’ temos como palavra base ‘aproveitar’, fazemos o adicional da parte inicial, o prefixo ‘re’ e a parte final, o sufixo ‘mento’, assim obtendo um termo com um novo significado. O mesmo esquema serve para outras palavras.
Agora seguimos com exemplos de palavras mais modernas, os neologismos, que são derivações prefixais e sufixais, encontradas na rede social X:
https://x.com/gusmyly/status/1869520721413894224
Destiktokzação: Des (prefixo) + tiktok (palavra base/ radical) + zação (sufixo)
https://x.com/i/status/1956597868006879469
Desmonetização: Des (prefixo) + moneti(zar) (palavra base/radical) + zação (sufixo)
https://x.com/pepsibleck/status/2020688938092900835
Intankável: In (prefixo) + tanka(r) (palavra base/radical) + avel (sufixo)
https://x.com/ifmarcellasz/status/2017584980969304290
https://x.com/fereIra90/status/2019939303304888700
Intransável: In (prefixo) + transa(r) (palavra base/radical) + avel (sufixo)
Existem também alguns outros exemplos de palavras de palavras mais comuns que usamos muito no nosso dia a dia.
Reaproveitamento: Re (prefixo) + aproveit(ar) (palavra base/radical) + mento (sufixo)
Desvalorização: Des (prefixo) + valor (palavra base/radical) + ização (sufixo)
Anormalidade: A (prefixo) + normal (palavra base/radical) + idade (sufixo)
Desatualização: Des (prefixo) + atual (palavra base/radical) + ização (sufixo)
Releitura: Re (prefixo) + le(r) (palavra base/radical)+ itura (sufixo)
Como podemos ver ao longo deste post, nosso dia a dia está repleto de palavras com derivação prefixal e verbal, mas mais que isso, cada palavra existente no nosso cotidiano carrega em sua essência a morfologia e às vezes nem sequer pensamos ou sabemos desse ‘pequeno’ detalhe.
Ao final desse post, desejamos fortemente que vocês, tanto os antigos leitores que nos acompanham com fidelidade quanto os leitores que nos conheceram hoje através desta postagem, possam ter adquirido um novo conhecimento e entendido essa pequena peça que forma o quebra cabeça que chamamos de linguística.
Até o próximo post!

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